Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas

O coordenador do Núcleo BIM do Metrô de São Paulo, Ivo Mainardi, fez uma análise técnica do processo de implementação da Modelagem da Informação na empresa, desde a sua contratação até os dias atuais. O caso de sucesso em Construção 4.0 foi o tema da conferência de encerramento do Enaop 2026, que foi moderada pela presidente do Ibraop, Adriana Portugal, no final da tarde desta sexta-feira (10).

Mainardi iniciou sua fala apresentando o BIM como um processo que integra informações digitais durante todo o ciclo de vida de uma obra, desde o projeto até as fases de operação e manutenção. “Depois de dedicar 20 anos da minha vida profissional ao BIM, afirmo com clareza que ele não é uma tecnologia, uma plataforma ou uma metodologia”, disse e, concluiu seu raciocínio com uma citação do autor e pesquisador André Borrmann: “O BIM é baseado no uso e reuso consistente de dados digitais (…)”.

Sua apresentação seguiu falando da importância do uso de softwares sofisticados e da adoção de padrões para garantir a interoperabilidade. “Como, por exemplo, o IFC [Industry Foundation Classes], desenvolvido pela buildingSMART. É um padrão de dados independente, internacional e aberto para a indústria de AEC [Arquitetura, Engenharia e Construção]”, explicou.

A palestra também abordou os benefícios na produtividade e na redução de erros, contrapondo-os aos desafios de formação profissional e mudanças nas práticas de gestão. “Eu tive que lidar com todo tipo de cenário dentro da mesma empresa. No entanto, para acompanhar o ritmo do mercado e manter a relevância do trabalho, busquei me adaptar às novas metodologias e tecnologias”, disse Mainardi.

O professor explicou a evolução da rede do Metrô de São Paulo, que atualmente possui 6 linhas, 104, 2 km e 91 estações. Segundo ele, 8 linhas, 147,9 km e 135 estações estão em expansão, ou seja, na fase de obras. Na fase de projetos, a previsão é chegar a 14 linhas, 321,7 km e 274 estações até 2040. “Teremos 11 tuneladoras rodando em São Paulo em 2032 para alcançar esse objetivo”.

Em 2022, o investimento do Metrô para a expansão de linhas era de R$1,8 bilhões e, em 2026, a previsão orçamentária para projeto e obras é de R$ 5,5 bilhões. “Estamos fazendo isso tudo em BIM”, demonstrou o palestrante por meio de animações em 3D e diversos vídeos, com exemplos práticos do que fazer (e do que não fazer), afirmando o porquê de o investimento na tecnologia valer a pena.

Ele finalizou sua apresentação falando da importância da inovação na indústria da construção civil que, ao incorporar tecnologias avançadas e práticas modernas, melhorar eficiência, produtividade e sustentabilidade. “É mais caro no início, mas conseguimos reduzir desperdícios e há ganho econômico a longo prazo. O caminho é longo para quem quer atuar de fato com as tecnologias da Indústria 4.0, mas o mais importante é começar e ir avançando, um passo de cada vez”, concluiu.

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O painel, moderado pela presidente do Ibraop, Adriana Portugal, terminou com a leitura da Carta de Curitiba.

ENAOP 2026

O Encontro Nacional de Auditoria de Obras Públicas – que tem “Inovação e Tecnologia Aplicada à Auditoria de Obras Públicas” como tema central – foi oficialmente aberto no dia 8 de junho e segue até o dia 10, na sede do Sebrae Paraná, em Curitiba (PR).

O evento conta com o apoio institucional da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), do Instituto Rui Barbosa (IRB), do Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), da Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom), da Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon), da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC) e do Sebrae Paraná.

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