Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas

Qual o melhor método para a criação de comandos eficazes aplicados em auditorias de obras públicas por meio da inteligência artificial? A resposta para essa pergunta foi a própria apresentação feita pelo auditor federal Rafael Martins durante o ENAOP 2026. “Criação de prompts para auditoria de obras” foi a última palestra do Painel 4, moderado pelo Conselheiro Renato Rainha (TCDF) nesta quarta-feira (10).

No TCU desde 2009, e premiado por trabalhos de destaque no setor de infraestrutura, o palestrante iniciou sua fala dizendo que, em tempos de I.A, está sendo difícil ser bom no básico. O palestrante acredita que as pessoas estão se tornando menos críticas, com preguiça de aprofundar a forma de pensar.

“Precisamos ser bons perguntadores e não nos contentar com qualquer resposta”, disse. Rafael explicou que a I.A é uma ferramenta algorítmica, que repete padrões, cuja função é soar a mais verdadeira possível. “Nós, como auditores, precisamos ter cuidado para não cair em vieses de confirmação. Não podemos deixar de fazer questionamentos mais profundos”, enfatizou.

A anatomia de um bom prompt é composta por cinco ingredientes fundamentais, que podem ser lembrados pela sigla P-C-T-F-R: 1) Papel: Define a identidade que a IA deve assumir, como, por exemplo, um “auditor de obras do TCU”; 2) Contexto: Refere-se aos dados e documentos específicos sobre os quais a inteligência artificial deve trabalhar; 3) Tarefa: É a descrição exata do que você deseja que a ferramenta execute; 4) Formato: Determina como a resposta deve ser apresentada, podendo ser em forma de tabela, lista, parecer ou com citações diretas às fontes; 5) Restrições (Limites): Estabelece o que a IA não deve fazer, como “não inventar dados” ou limitar-se a “usar apenas o material em anexo. “A combinação desses cinco elementos é o que transforma um prompt genérico em um ‘bom achado’ no trabalho de auditoria.

Além das estratégias de interação, o palestrante também avaliou ferramentas específicas, como o ChatGPT e o NotebookLM, destacando suas utilidades no controle externo. Por fim, trouxe exemplos práticos de assistentes virtuais personalizados desenvolvidos para atender às demandas do Tribunal de Contas da União.

Segundo ele, o foco reside em transformar a IA em um assistente técnico que amplie a capacidade investigativa do auditor, sem substituir seu julgamento crítico. “Encerro com uma provocação: se hoje, 10 de junho de 2026, a IA já não impacta de uma forma expressiva a sua rotina, é uma questão de desinformação, preguiça ou falta de criatividade”, concluiu Rafael.

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