Inovação com propósito humano. Assim resumiu a presidente do Ibraop, Adriana Portugal, em seu discurso, durante a solenidade de abertura do ENAOP 2026.
Sua fala foi marcada por um forte tom de responsabilidade social e ética diante do avanço da Inteligência Artificial (IA), traçou diretrizes para o futuro do controle externo no Brasil. Também marcou o encerramento do ciclo da atual gestão do Instituto e anunciou o auditor Guilherme Bride (TCE-ES) como o próximo presidente da instituição.

Avanço da Inteligência Artificial
Embora reconheça o potencial da tecnologia para qualificar diagnósticos e otimizar a análise de dados, Adriana fez um alerta contundente sobre os limites das ferramentas automatizadas e a necessidade de prudência institucional. “A tecnologia só cumpre plenamente sua finalidade pública quando está a serviço da dignidade humana, da inclusão, da justiça social e do bem comum”, disse
Citando movimentos globais do próprio setor de tecnologia — como os alertas da desenvolvedora Anthropic em defesa de pausas e coordenação no avanço da IA —, o discurso reforçou que a inovação não substitui o discernimento técnico e humano.
“A IA pode ampliar nossa capacidade de análise (…) Mas ela não substitui algo muito precioso: o senso crítico, o discernimento humano, além da responsabilidade ética, a escuta qualificada e o compromisso humano de quem atua no controle da infraestrutura pública.”
A Metáfora de Neemias: Da Ruína à Reconstrução
Fazendo um paralelo com a narrativa bíblica de Neemias, responsável pela reconstrução dos muros de Jerusalém, o discurso da presidente do Ibraop ilustrou o papel dos auditores frente aos “muros caídos” da administração pública brasileira — como obras paralisadas e projetos deficientes que impactam serviços essenciais de saúde, educação e saneamento.
“Muitas vezes, nossas equipes também se deparam com ‘muros caídos’ (…) Mas a auditoria de obras públicas, quando bem compreendida, não se limita a registrar a ruína. Ela ajuda a enxergar o problema, organizar evidências, separar responsabilidades, propor caminhos, prevenir desperdícios e recolocar a política pública em direção à sociedade.”
Para alcançar esse objetivo, foi defendida uma atuação mais próxima do território e das comunidades afetadas, superando o modelo de análise puramente documental.
Entregas técnicas e compromisso social
O ENAOP 2026 também serve de vitrine para a consolidação técnica do Ibraop. Foi anunciada a divulgação de 10 novos materiais técnicos, incluindo duas Notas Técnicas; a revisão da Orientação Técnica 01/2006, sobre Projeto Básico, a mais significativa do instituto; alé, de Procedimentos de Auditoria sobre Metodologia BIM, Obras Rodoviárias e Impactos Socioambientais.
O evento reforçou seu alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, destacando ações práticas de inclusão social, concessão de isenções para estudantes e a manutenção de um painel técnico formado exclusivamente por mulheres, em atenção à igualdade de gênero (ODS 5).
Ao final, após saudar o conselheiro André Carlo Torres Pontes para o anúncio do XXII Simpósio Nacional de 2027, o evento foi oficialmente aberto com uma reflexão sobre a real prioridade da administração pública: “Por trás de cada obra, de cada dado, de cada processo e de cada decisão pública, há vidas”.
Confira AQUI a íntegra do discurso!