A palestra do perito criminal federal e chefe do Serviço de Geomática da Diretoria Técnico-Científica da Polícia Federal, Cristiano da Cunha Duarte, abriu o quarto painel do ENAOP 2026, na manhã desta quarta-feira (10). Ele apresentou o Programa Brasil MAIS – visto como algo maior que uma ferramenta e sim, uma rede colaborativa com indicadores e impactos comprovados.
Criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e mantido por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública, o programa Brasil MAIS utiliza tecnologia espacial e inteligência artificial para modernizar a fiscalização de obras públicas de médio e grande porte.

Segundo o palestrante, esta iniciativa da Polícia Federal permite monitorar o progresso físico de infraestruturas através de imagens de satélite diárias, garantindo uma auditoria contínua e independente. “A auditoria é feita através da combinação de imagens de satélite diárias, com uso de inteligência artificial e integração de dados de engenharia, transformando a fiscalização de um modelo baseado em declarações para um modelo baseado em evidências objetivas”, explicou Cristiano.
Por integrar dados de BIM 3D e 4D ao processamento automatizado, o sistema consegue identificar fraudes e disparidades entre o cronograma declarado e a execução real. “Além de promover a transparência, a plataforma auxilia na preservação ambiental e na detecção de riscos em áreas críticas. O uso dessas evidências objetivas substitui as limitações das inspeções presenciais por um modelo de controle mais escalável e eficiente”, enfatizou o perito criminal, ao fazer uma demonstração do funcionamento do Brasil MAIS à frente dos participantes do ENAOP 2026.
O processo de auditoria automatizada segue quatro etapas principais para comparar o que foi planejado com o que está sendo executado: 1) Entrada de Dados: são integrados a geometria da obra (polígonos via BIM 3D) e o cronograma físico-financeiro (BIM 4D); 2) Consulta Automática: o sistema busca imagens do Brasil MAIS nas datas relevantes do cronograma; 3) Processamento por IA: algoritmos de inteligência artificial realizam a detecção de objetos (como concreto e maquinário) e a segmentação (áreas pavimentadas, reservatórios ou supressão de vegetação); e 4) Saída ou Resultado: o sistema gera um Índice de Evidência Física (%) e emite alertas caso haja divergência entre o previsto e o observado.
O Brasil MAIS utiliza um acervo de imagens de satélite diárias (com registros desde 2016) que cobrem todo o território nacional. Essa análise retroativa permite a verificar, por exemplo, o que ocorreu no canteiro de obras em datas passadas. É ideal para projetos de médio e grande porte, como rodovias, ferrovias, barragens e prédios, não sendo indicado para obras pequenas, estruturas muito detalhadas ou fiscalização interna de edificações individuais.
Atualmente, o Programa Brasil MAIS possui 135 mil usuários cadastrados de 729 instituições, sendo 226 na área da Segurança Pública. Desde o mês de janeiro de 2023, foi registrado um aumento de 350% do uso do sistema, que acumula resultados reconhecidos nacional e internacionalmente. Em cinco anos, R$ 323 milhões foram investidos, porém as atividades criminosas foram impactadas em R$28,6 bilhões: um retorno de 8.700% do investimento à sociedade.
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